
Há mais de 40 anos uma família de Sergipe disputa na Justiça o
direito a uma herança. Mas não é qualquer herança. No centro da
briga está uma área gigantesca, equivalente a dois municípios do
estado.
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o site do Jornal da Globo
Na casa de apenas um cômodo, dona Adélia Marinho
se ajeita como pode. Um salário mínimo é a única renda da
aposentada de 68 anos, que nunca desistiu de lutar por uma
herança, deixada pelo pai. “Só vivi isso. Não tive infância,
adolescência. Tudo isso o estado me roubou”, diz.
Dona Adélia diz que a família seria proprietária
de uma área que reúne dois municípios do interior de Sergipe:
Poço Redondo e Canindé de São Francisco. Terras compradas pelo
pai da aposentada, por cinco mil cruzeiros.
Mas o patrimônio, diz ela, foi roubado. O inventário demorou para ficar pronto, e, na época, os documentos teriam sido adulterados pelos cartórios da região. Sobrou uma certidão que atesta a existência da escritura dos terrenos. Foi por causa desse documento que a família conseguiu entrar na Justiça.
A disputa judicial começou há mais de 40 anos. De lá para cá
muita coisa mudou na área onde antes só existiam terra, mato e
uma propriedade ou outra. Hoje, além das mais de 50 mil pessoas
que vivem na região até uma hidrelétrica foi instalada, a
terceira maior do país, a Hidrelétrica de Xingó.