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As fortes rajadas de vento, com velocidade aproximada de 66 quilômetros
por hora, ocorridas por volta das 19h de ontem, causaram estragos em
vários pontos da capital e em diversos municípios. Talvez a situação
mais grave tenha sido a da igreja católica São Pedro Pescador,
localizada no bairro Industrial. Na hora da missa, com o templo lotado,
uma grande placa de amianto se soltou por conta do vento e destruiu
outras. Os estilhaços atingiram alguns fiéis, a maior parte deles
idosos, que estavam no altar e faziam parte do coral.
De acordo com o padre Aélio Sousa Nascimento, reitor do Seminário
Maior, que esteve no local para dar apoio ao padre Luciano Bezerra –
celebrante da missa –, apenas três pessoas tiveram ferimentos um pouco
maiores e foram encaminhadas pelo Samu para o hospital Nestor Piva.
“Uma verdadeira graça se operou nesta noite, minha filha. Graças a Deus
foram poucos e não graves os feridos. Digo que foi uma graça porque a
igreja estava lotada, pois era a missa da renovação da aliança”, disse
o reitor.
Placas de outdoor, letreiros de pontos comerciais, árvores e estandes
de venda foram arrancados pela ventania. Além desses estragos, grande
parte do muro do estádio Sabino Ribeiro foi derrubada e quase oito
metros da cobertura de estacionamento de um dos prédios localizados na
Alameda das Árvores caiu sobre os carros. Alguns desses objetos,
principalmente árvores e placas caíram em cima da rede de energia
elétrica, causando a suspensão do serviço em vários pontos da capital,
principalmente na zona sul, como informou o assessor de Comunicação da
Energisa, Augusto Aranha, em entrevista a uma emissora de rádio local.
Ele pediu que a população tenha compreensão e aguarde a restauração da
rede, que foi prejudicada em diversos pontos do Estado.
De acordo com o meteorologista Overland Amaral, o vórtice ciclônico de
alto nível se formou no oceano e apenas a sua borda oeste passou pela
costa sergipana, causando todos os estragos registrados. Ele disse
ainda que desde o início da tarde de ontem esse fenômeno era esperado,
tanto que a Defesa Civil do Estado e a de Aracaju foram avisadas da
possibilidade da sua ocorrência. “As deixamos de sobreaviso”, disse o
meteorologista. Segundo ele, fenômeno semelhante – que não é comum no
período de verão – é esperado para o período de 21 a 23 desse mês.